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TEM ESPANTO PARA TODOS OS GOSTOS


Artigo dia 29.julho.2010

TEM ESPANTO PARA TODOS OS GOSTOS

Vamos citar alguns, os que foram divulgados, às vezes em notas discretas, pela mídia em geral. Imaginem os que não são publicados!

    UM ESPANTO. Aliás, não apenas um, mas dezenas, centenas, milhares de espantos acontecem diante dos olhos  dos que ainda têm olhos, mesmo que apertados, para ver um pouco adiante de seu próprio umbigo. Espantos que são provocados pelo que os meios de comunicação publicam, divulgam nas telas das tvs, informam nas transmissões radiofônicas, que ainda sobrevivem. Imaginem os espantos maiores pelo que não é publicado, pelo que é impedido de ser divulgado, ou noticiado nos jornais falados das emissoras de rádio. É verdade que não há censura no país. Então, por que muitas coisas espantosas que acontecem e que todos sabem que acontecem, não são divulgadas para conhecimento do ilustre público? Mais um espanto, sem dúvida.

    QUEM poderia um dia, lá no passado, imaginar que a lisura do procedimento de uma corte judicial poderia ser posta em dúvida?  Lá no passado, e não tão distante assim, o Poder Judiciário era um santuário de pureza, de retidão, de sobriedade. Ninguém ousaria duvidar da correção de conduta dos magistrados, especialmente dos antigamente chamados sobrejuízes, os dos tribunais, irrepreensíveis em seus atos, gestos e atitudes. Respeitados por todos, os poderosos, os governantes, os assim chamados "do povo", que  tiravam o chapéu – naquele tempo ainda se usava – quando cruzavam na rua com um ilustre integrante da magistratura, desde o inciante, nas pequenas comarcas do interior, até os que alcançavam as glórias da Capital e da segunda instância. Pois hoje, a honradez da categoria pode ser posta em dúvida por jovens bacharéis que disputam, em concurso público, uma vaga na carreira. Eles se dizem prejudicados por critérios de julgamento que estariam beneficiando parentes e assessores dos que preparam, aplicam e corrigem as prova. Dúvida que precisa ser esclarecida, e muito bem esclarecida, para que não pairem nuvens negras sobre um tribunal que todos queremos respeitado. 

    OUTRO espanto. A veneranda Federação das Indústrias de Minas Gerais, mais conhecida pelos íntimos como Fiemg, foi acusada de ter participado indevidamente da elaboração de edital de concorrência para uma obra pública, parece que relativa à duplicação do Anel Rodoviário de Belo Horizonte. Valha-nos Deus, até a Fiemg, de honradas tradições mineiras no passado já distante, aquele do chapéu já mencionado! A participação, dizem os que acusam (a notícia foi publicada por algums jornais), teria como finalidade dirigir a concessão da obra para determinadas empresas de engenharia. Buscamos, nos dias seguintes, nos mesmos jornais, um desmentido cabal, um esclarecimento inequívoco que preservasse a respeitabilidade daquela entidade. Não vimos nada. Um silêncio ensurdecedor, como o caso do tribunal acima citado. O perigo vem de um ditado antigo, também do tempo dos chapéus: quem cala, consente. Vamos continuar esperando e torcendo para nenhum acusado se cale, nem consinta, e que tudo se esclareça, logo.

     MAS tem mais. A novela do Viaduto das Almas, que depois de matar dezenas de pessoas foi rebatizado de Viaduto Villa Rica, sem que a matança acabasse, continua em capítulos que cansam a paciência do mais paciente dos seres humanos. Construído em curva, graças ao "gênio"de um arquiteto que se candidatava a inovador, transformou-se com os anos em um matadouro humano. Ônibus, carros, caminhões, carretas, não conseguem  acompanhar o traçado curvo, nem conter a velocidade dos veículos, e despencam no abismo. Promessas e projetos de construção de um novo viaduto têm sido feitos desde a metade do século passado. Um dia, o novo viaduto começou a ser construído, na lentidão burocrática que é a marca registrada das obras públicas em geral. Ficou pronto, muitos anos e muitas tragédias depois. Mas os engenheiros se esqueceram de um detalhe. Não bastava construir o viaduto, era imprescindível fazer o acesso a ele, nos dois sentidos da BR-040, a nunca acabada Brasília-BH-Rio. projetada e iniciada nos tempos ainda de Juscelino Kubitschek (ele, tão antigo, ainda tão lembrado, também, usava chapéu…). Sem o acesso, como chegar, como passar pelo novo viaduto? Nossa engenharia, nosso DNIT, que já foi o valoroso DNER dos tempos de Eliseu Resende, fazem parte da era do espanto. E com destaque.

    ESTE é esportivo. Mas não menos espantoso. Com tantas carências, com tantos problemas sem solução por alegada falta de verba, com tanta gente sofrendo na fila de hospitais sempre lotados, com tantas crianças sem escolas, sem creche, com estradas de rodagem em petição de miséria, como as federais mineiras, com metrôs que nunca avançam centímetros em suas linhas, como o de BH, o nosso preclaro e corinthiano presidente determinou ao ministro de Esportes que providencie a construção de um luxuoso estádio de futebol, para que São Paulo possa realizar o jogo de abertura da Copa do Mundo de 2014. E viva a seleção!

    CHEGA, por hoje,  de espantar o eventual leitor deste blog. A lista é enorme. Cada um que faça a sua

Blog: fabiopdoyle.zip.net

Fábio P. Doyle

Da Academia Mineira de Letras

Jornalista 

 

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